Vila Prudente

Eixo desenvolvido com a colaboração dos moradores André e Priscila.

O distrito da Vila Prudente, na zona leste da cidade de São Paulo, possui mais de 104 mil habitantes, de acordo com dados do Censo 2010, e fica localizado entre os bairros da Mooca e do Ipiranga, numa região central. Inicialmente formada por imigrantes italianos, sua ocupação começou em 1890, com a inauguração da Fábrica de Chocolates Falchi, sendo, portanto, considerada a primeira favela de São Paulo. Em seguida, outras fábricas e comércios foram sendo introduzidos na região. Com isso, muitos trabalhadores fabris, da construção civil e do comércio construíram suas casas próximo aos seus trabalhos e assim se iniciou a Favela da Vila Prudente. Hoje, a mesma é formada por 9 favelas: do Haiti, do Morro do Péu, São Roberto, Jardim Independência, Estação Ipiranga, Jacinto Palhares, São Faustino, Favelão e Ilha das Cobras, segundo as informações do site do Movimento de Defesa do Favelado. Uma diversidade de organizações mostra o forte vínculo que os moradores têm com o território, assim como demonstra também que a favela produz arte e cultura, dentre essas a Creche Julio Cesar de Aguiar – construída por iniciativa dos moradores na década de 1980, de times de futebol da Vila Prudente – com mais de 60 anos de atividades, de escola de samba, do Centro Cultural Vila Prudente, do jornal Vozes da Periferia, da Capela São José do Operário, etc.

Situada no centro de São Paulo, estando a 5 minutos a pé do Museu do Ipiranga, a comunidade fica entre dois grandes shoppings centers. Portanto, é uma região geograficamente bem localizada e com fácil acesso a comércio, lazer e educação. Sendo assim, não seria estranho identificar os olhares ameaçadores da especulação imobiliária rondando a favela da Vila Prudente. O projeto do Monotrilho é mais um exemplo desses tentáculos do neoliberalismo aplicado à lógica da cidade, mercantilizando territórios e vidas. 

Compreender a formação da Vila Prudente requer que seja compreendido que há duas classes sociais distintas disputando a memória do território. A mais alta ignora a existência da favela; a mais baixa segue firme lutando para que seu direito de permanência no território seja garantido, já que há famílias que moram há 5 gerações na Vila Prudente. Os moradores da Vila Prudente nunca ficaram sossegados quanto a ter seu direito de moradia assegurado. Desde a época de Jânio Quadros, a favela sofre ameaças de remoção, mas a comunidade se une e enfrenta as adversidades. Em 2020, em pleno ano da pandemia de Covid-19, é posto em vigor o projeto do Monotrilho, conectando a estação de monotrilho da Vila Prudente com a estação de trem da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). O trecho ligará a Vila Prudente ao Ipiranga. O Monotrilho cortará a favela da Vila Prudente, passando pelo Favelão. 

A Prefeitura não comunicou a comunidade sobre essa obra e sobre as problemáticas que ela trará. Os moradores ficaram sabendo do projeto pelo noticiário da televisão. Essa falta de diálogo e falta de transparência está sendo o motor para as ações da Vila Prudente, onde os moradores combinam reuniões com a Prefeitura com a finalidade de obter mais informações sobre o projeto do Monotrilho, sobre em qual local exatamente as obras ocorrerão, para saber se há um programa de reassentamento e de assistência social para as famílias que serão removidas, para ter mais informações acerca da escola que será destruída, para pensar em alternativas à construção dessa coligação do Monotrilho – já que a mesma distância se for feita a pé resulta em cerca de 15 minutos de caminhada. Mesmo com toda essa movimentação por parte dos moradores, o Poder Público permanece sem dar respostas, mostrando despreparo e falta de planejamento para lidar com esse projeto e suas problemáticas. Nesse caso, a Prefeitura vem servindo mais ao capital do que à população. Quando foi numa reunião na empresa de transporte responsável pelo Monotrilho, Priscila conta o seguinte: “[…] quando eu perguntei pro representante lá do monotrilho que eles iam me obrigar a sair do bairro que eu nasci, que eles iam acabar com a minha história, tirar minha raiz, ele ficou sem me dar resposta.”. A falta de diálogo e de transparência para com a população resulta em silêncio. O projeto foi iniciado em 2020 – atrasado, pois era para ter sido em 2018, o começo das obras está previsto para 2022 e a entrega do Monotrilho para 2024. Esse prazo curto assusta os moradores, pois os mesmos ficam sem saber se amanhã ou depois sua casa será destruída por ordem do município.


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